Leite de Cabra a Pasto

  

Cabras leiteiras podem ter acesso a pastagens para facilitar o manejo e diminuir os custos de produção. Pastagens para cabras devem ser de boa qualidade com gramíneas de alta produção e leguminosas que persistam na área.

Na produção caprina em pastagens, a tomada de decisão na escolha da planta forrageira adequada às condições de clima e solo locais, além do manejo que será imposto, deve ser criteriosa, pois a área implantada deve ter uma longa vida útil.

A obtenção de boas pastagens para a utilização com caprinos depende do atendimento de alguns pontos básicos:

• Uso de forrageiras produtivas e de elevado valor nutritivo, ou seja, com alta

aceitabilidade pelos caprinos, elevada concentração em nutrientes (energia

proteína, minerais e vitaminas) e boa digestibilidade.

• A utilização de gramíneas de porte médio a baixo, com altura inferior a 1,0 m,

são mais adequadas ao comportamento dos caprinos em pastejo.

• Manutenção de níveis de fertilidade de solo adequados às exigências da

forrageira utilizada, com reposição dos nutrientes removidos pelo pastejo e

lixiviação através de adubações em épocas estratégicas.

·        Adoção do sistema de pastejo rotacionado como forma de melhorar e

uniformizar a utilização da forragem e, principalmente, diminuir o nível de

infestação por lavas de helmintos (endoparasitos).

• Uso preferencial de espécies de hábito de crescimento cespitoso (porte

ereto), que em função da sua arquitetura, favorecem a inativação de larvas e

ovos de helmintos (endoparasitos), em razão de permitirem uma maior

insolação.

 

 

            Para a implantação do pastejo rotacionado na produção de leite de cabras a pasto devemos seguir alguns critérios e tomar medidas que visam a otimização da área explorada. Um exemplo prático é este abaixo que está sendo realizado na unidade de caprinos de Nova Odessa com o capim Aruana

A área de pastagem utilizada é subdividida em cinco piquetes, possibilitando um manejo rotacionado no qual cada pasto é utilizado por um período de 9 dias (no máximo), tendo um período de repouso de 40 dias, dependendo da disponibilidade de forragem e da situação do “stand” da forrageira no piquete após cada ciclo de pastejo.

Para as condições do Estado de São Paulo, recomendam-se, principalmente, as gramíneas do gênero Cynodon e Panicum, podendo ser usado também, o capim pangola e pangolão (Transvala) (Digitária decumbens Stent) e leguminosas como Soja perene (Neonotonia wightii), Macrotiloma (Macrotyloma axillare), Galáxia (Galactia striata), Siratro (Macroptilium atropurpureum), Calopogônio (Calopogonio mucunoide), Desmodium (Desmodium sp).

A elevada produtividade e alto valor nutritivo do Aruana é dependente de uma adequada reposição de nutrientes no solo, que é feita anualmente através da fertilização química com N, P, K e Ca, com base em análise de solo e,

eventualmente, da forragem.

Cabras em lactação devem ser alimentadas com forrageiras de bom valor nutritivo e com elevada disponibilidade por área. O Pastejo rotacionado é essencial para preservação das forrageiras e diminuição do número de larvas infectantes na pastagem.

 

Flavio C. Marque Melo

Medico Veterinário Especialista

em Pequenos Ruminantes